Nos anos finais do ensino fundamental,
eu era completamente o peso morto do time.
Não conseguia resultados nem nos treinos nem nos jogos.
Enquanto todos ao meu redor evoluíam, só eu ficava para trás.
Os olhares dos meus companheiros eram frios,
e o clima era sempre pesado, sufocante.
Por mais que eu falasse em campo, por mais que corresse,
não conseguia me tornar alguém em quem confiassem.
Quase todos os dias, ouvia aquelas palavras.
“Quando você está no nosso time, a gente perde.”
“Não vem, você só atrapalha.”
“Morra, seu pereba.”
“Não quero jogar futebol com você.”
Não era brincadeira.
Era a minha realidade.
E o que mais doía
era que até o treinador tinha desistido de mim.
“Ele não leva jeito para o futebol.”
“Não vai continuar no ensino médio.”
“Profissional? Não tem a menor chance.”
Meu sonho era ridicularizado, esmagado, pisoteado.
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Todos os dias, antes de sair para o futebol, era um inferno.
Bastava chegar à porta de casa para sentir a garganta fechar e vontade de vomitar.
Eu tentava controlar as mãos que tremiam e segurar as lágrimas.
Um dia, minha mãe disse, preocupada:
“Se você não está se sentindo bem, não precisa se forçar a ir.”
Mas eu
não conseguia dizer: “Eu não quero ir”.
Não queria mostrar fraqueza aos meus pais, que torciam por mim.
Queria que vissem apenas o meu esforço.
Então sorri e calcei os tênis.
Como se nada tivesse acontecido,
fui para o treino.
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Um dia, por causa de uma jogada minha, o time sofreu um gol e perdeu.
Ninguém disse nada.
Só ficou aquele silêncio frio no ar.
Naquele dia, sentei sozinho no banco.
Quando cheguei em casa, chorei agarrado ao uniforme.
Com o rosto enterrado no travesseiro,
“Eu quero parar.”
Meu coração gritava isso sem parar.
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Mas...
Naquele momento, lembrei de umas palavras.
Quando eu ainda era criança,
um treinador me disse:
“É um garoto assim que acaba virando profissional.”
Uma única frase.
Mas ela nunca saiu do fundo do meu peito.
Continuava acesa, como uma brasa.
“Eu sou alguém que vai se tornar profissional.”
“Minha história não pode terminar aqui.”
Só aquelas palavras conseguiram me colocar de pé de novo quando eu estava prestes a desmoronar.
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Em outro dia, um colega mais velho me disse, do nada:
“Eu estou vendo o quanto você se esforça.”
Eu achava que ninguém reconhecia meu esforço.
Mas havia alguém que estava olhando.
Aquela frase me fez sentir que valia a pena continuar me dedicando.
Mesmo sem recompensa, se houvesse alguém acompanhando,
eu conseguia olhar para a frente outra vez.
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Havia quase 40 jogadores no meu time naquela época.
Mas os que continuaram jogando até a universidade...
Somos só dois, contando comigo.
Os dias em que saí de casa quase vomitando.
Os dias em que continuei falando em campo sem que ninguém esperasse nada de mim.
Aqueles momentos em que avancei mesmo depois de começar a sentir medo da bola.
Nada disso foi em vão.
Tenho orgulho de tudo isso.
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Acreditar não é fácil.
Mesmo quando parece que todos ao seu redor são inimigos,
ao menos você precisa acreditar em si mesmo.
Às vezes, isso é solitário.
Dá medo, dói, e você pensa muitas vezes: “Cheguei ao meu limite”.
Mas só quem continua acreditando nesse momento
consegue mudar a própria vida.
Eu vou provar isso.
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Para quem está sofrendo com o futebol agora.
Para quem sente que só o próprio esforço não dá em nada.
Se este texto chegou até você, quero dizer uma coisa.
Sempre há alguém acompanhando seu esforço.
É continuando a acreditar que o cenário pode mudar.
Sua história ainda não acabou.
São palavras sinceras de alguém que já foi deixado para trás.