— As palavras dos meus pais que me sustentaram no banco de reservas ainda me dão força —
“Por que meu filho não consegue jogar de novo?”
“Ele só fica no time B e parece estar sofrendo.”
“Ele se esforça tanto, mas ninguém reconhece.”
Para os pais e responsáveis que já sentiram essa preocupação.
Escrevo este texto a partir de uma experiência que vivi como reserva e que nunca esqueci.
Quando eu estava nos primeiros anos da escola, eu jogava.
Usava a camisa 10 e era vice-capitão.
Jogava com a turma um ano acima da minha.
Fazia gols, e houve dias em que fui tratado como herói.
Mas, conforme avancei para os anos finais do ensino fundamental e depois para o ensino médio, a realidade foi ficando mais dura.
Eu não era chamado para o time principal e passava a maior parte do tempo no time B ou no banco.
No ensino médio, chegava à escola antes de todo mundo, todas as manhãs, e continuava treinando por conta própria.
“Talvez hoje eu consiga jogar.”
Eu seguia acumulando esforço com essa esperança no peito,
mas os dias em que meu nome não aparecia na lista de convocados continuavam.
E, para ser sincero, meus pais também já me deram broncas por causa do futebol.
Dentro do carro, com companheiros de equipe junto, ou durante os jogos:
“Fala mais em campo!”
Eu ouvia broncas sobre minhas jogadas: faz isso, faz aquilo.
Claro que sabia que estavam torcendo por mim.
Mas, justamente porque naquela época eu estava dando tudo de mim,
havia dias em que aquelas palavras doíam.
Ainda assim, há palavras que continuam comigo até hoje.
“Você é como eu, demora um pouco mais para florescer. Vai dar certo.”
“Se continuar, com certeza vai se tornar um grande jogador.”
Mesmo quando os resultados não vinham, mesmo quando eu não conseguia entrar em campo,
aquelas palavras me levantaram muitas vezes.
E hoje...
Eu, que não tive grandes conquistas no ensino médio,
passei na seletiva do time de futebol da universidade.
E agora jogo no time da universidade, disputando espaço com alguns dos melhores jogadores do país.
Jogadores que passaram pelo centro nacional de treinamento, disputaram o campeonato nacional escolar ou vieram das categorias de base de clubes da J.League...
No meio deles,
eu, que naquela época estava no time B, piso no mesmo gramado.
Além disso, hoje eu...
Estou me dedicando de verdade ao sonho de me tornar jogador profissional de futebol no exterior.
Ainda não sou alguém que “chegou lá”.
Mas, se consegui chegar até aqui,
foi porque tive pais que acreditaram em mim.
Por isso, aos pais e às mães que estão lendo este texto agora:
Por favor, acreditem nos seus filhos.
Não importa se “não jogam bem” ou se “são reservas”.
Uma criança
consegue avançar na medida em que sente que alguém acredita nela.
“Estou acompanhando você.”
“Eu sei o quanto você está se esforçando.”
Acredito que essas palavras, mais do que qualquer orientação ou conselho,
são capazes de fazer uma criança seguir em frente.
🔻 Aos pais e responsáveis
Escrevi este texto pela perspectiva do filho que não conseguia jogar.
Como um jovem que continua perseguindo seu sonho,
eram palavras que eu precisava transmitir às crianças que sofrem com o futebol e às suas famílias.
Espero muito que cheguem até vocês.
Que mesmo quem floresce tarde pode florescer.
Que, quando há alguém que acredita em nós, conseguimos não desistir.